Correias de distribuição banhadas a óleo.
Neste artigo abordamos as consequências de ter uma correia de borracha mergulhada no óleo. Na teoria parece mau, na prática é ainda pior. Sente-se enquanto dissertamos esta verdadeira banhada!
Nos últimos anos vários fabricantes automóveis começaram a utilizar correias de distribuição banhadas a óleo, também conhecidas como sistemas “belt in oil” ou “wet belt”.
A ideia parecia simples: reduzir atrito interno, diminuir ruído mecânico e melhorar os consumos e emissões. No entanto, rapidamente começaram a surgir problemas graves relacionados com a degradação prematura destas correias.
Os casos mais conhecidos surgiram nos motores PSA PureTech e Ford EcoBoost, mas outros fabricantes também começaram a apresentar sintomas semelhantes.
Em muitos casos, quando aparecem os primeiros avisos no painel, os danos internos já começaram há bastante tempo.

Ao contrário de uma correia convencional, neste sistema a correia trabalha permanentemente em contacto com o óleo do motor. Isto significa que a qualidade do óleo e os intervalos de manutenção tornam-se absolutamente críticos.
Quando o óleo perde propriedades ou não corresponde à especificação correta, a borracha da correia começa a degradar-se prematuramente. Pequenas partículas acabam por circular em todo o sistema de lubrificação.
Um dos pontos mais afetados é o chupador da bomba de óleo. À medida que as partículas se acumulam, a pressão de óleo começa a diminuir.
As consequências podem ser severas:
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desgaste prematuro do turbo,
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falhas no sistema VVT,
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danos na árvore de cames,
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desgaste de bronzes,
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gripagem parcial ou total do motor.

Os casos mais conhecidos são estes;
FORD
1.0 EcoBoost
Veículos afetados:
Ford Fiesta
Ford Focus
Ford Puma
Ford EcoSport
Ford Transit Courier
PSA / STELLANTIS
1.2 PureTech
O caso mais mediático na Europa.
VAG
EA211 / EVO
HONDA
1.0 VTEC Turbo
Não existe uma crise pública como PSA/Ford, mas há casos isolados de contaminação do óleo
GM / OPEL
1.2 Turbo e derivados Stellantis
TOYOTA
Toyota Aygo X
Toyota ProAce City
Nestes casos o problema é exatamente o mesmo porque o motor é PSA.
Por esse motivo, muitas oficinas especializadas recomendam:
reduzir os intervalos de manutenção,
utilizar exclusivamente óleo homologado,
inspeções preventivas da correia,
limpeza do circuito de lubrificação sempre que exista degradação da distribuição.

As correias de distribuição banhadas a óleo surgiram como uma solução moderna para melhorar eficiência e reduzir emissões, mas na prática revelaram-se um dos problemas mecânicos mais dispendiosos em vários motores recentes.
A utilização do óleo correto e a manutenção preventiva tornaram-se fatores fundamentais para evitar danos graves no motor e no turbo-compressor.
Ignorar os primeiros sintomas pode transformar uma simples substituição de distribuição numa reparação completa do motor.

Conteúdo criado com I.A. e revisão técnica posterior
Nelson Campos
